sábado, 19 de maio de 2012

Aruba para cadeirantes


Aruba e eu... Saudades!
(Baby Beach, foto de Ulysses Martins)
Em setembro de 2011, lia o sensacional blog do Jairo Marques, jornalista da Folha, cadeirante, quando deparei com um post sobre Aruba. Havia sido escrito por um leitor, também cadeirante, chamado Fábio Valente. Ele dava dicas quentes sobre a ilha, contando sobre a temporada que havia passado por lá. Naquele momento, me apaixonei por Aruba e tive a certeza de que daria um jeito de ir também, totalmente contagiada pela experiência do Fábio, que indicava ser este um passeio bastante acessível para pessoas em cadeiras de rodas.

Família Martins curte Palm Beach, no píer onde fica
o bar Bugaloe. Estou na cadeira anfíbia do Radisson Hotel
Nas semanas seguintes, obcecada com isso, comentei com várias pessoas os atrativos de Aruba, já querendo encontrar companhia para a viagem. O tempo passou e, em janeiro, Ulysses me manda um e-mail curto e objetivo: “Estou tirando passaporte. Se estiver a fim de ir a Aruba, eu topo”. Não precisaria falar duas vezes! Topei, convidei Lilia, que falou para João Antônio, que também topou, e em janeiro mesmo nossas passagens já estavam compradas e a reserva do hotel feita!

Ficamos oito dias, e voltamos com vontade de ficar mais uma semana. A simpatia do povo, a segurança da ilha, a beleza irresistível das paisagens, a diversidade de bons restaurantes, os indefectíveis coquetéis – tudo isso nos conquistou para sempre. Ah, que vontade de voltar…

Em uma nova série de posts, contarei tudo pra vocês: viagem aérea, aeroportos, hotel, gastronomia, mergulho, praias, cadeira anfíbia, compras, beleza, beleza, beleza. E você vai comprovar por que Aruba pode constar em sua lista de viagens possíveis para cadeirantes.

Vamos comigo?


Frente do Radisson Hotel
Hotel

Ficamos no hotel indicado pelo Fábio Valente, o Radisson, porque oferecia cadeira de rodas para praia e guarda-sol acessível e reservado para cadeirantes. Nunca tinha ouvido falar de algo assim, mas essa informação se confirmou. Há um local junto das piscinas, para apanhar toalhas e reservar guarda-sol; reservamos o nosso, assim como a cadeira, para os dias todos!

Fizemos a reserva do hotel pelo site da Decolar. Depois, entramos em contato com essa consolidadora para solicitar o quarto para cadeirantes. Não houve problemas; quando chegamos ao hotel, mesmo sendo duas horas antes do horário definido para check-in, os quartos já estavam preparados.

Quarto confortável em foto desfocada de Laura Martins...
Observe as camas altas.
O quarto é amplo e bonito, e os que reservamos ficam na Torre Bonaire, no primeiro piso, com varanda para o jardim. Portas de vidro duplo, para isolamento acústico, com venezianas de madeira, para regular a luminosidade, deixam tudo muito agradável e silencioso. Climatização perfeita, com temperatura confortável, podendo ser regulada conforme o gosto. TV de LCD (que não ligamos nenhum dia; para quê?), cafeteira com sachês de chá e café colombiano como cortesia (uma delícia!). Internet de alta velocidade gratuita, com cabo nos quartos e sem fio no lobby. Perfeito! Eu havia levado meu net-book justamente para me comunicar com os amigos pelo Skype.

Banheira com ducha e barras de segurança
O ponto negativo é que as camas são muito altas; você terá de escalá-las. Não sei se há algum quarto com camas mais baixas. Mas os pontos positivos são muitos: elas são largas, e o colchão é mega confortável (com engenhoca para regular a densidade, acredita?). Há quatro confortáveis travesseiros à sua disposição e muita coberta, caso queira deixar a temperatura como num frigorífico, o que sempre acontece nos corredores do hotel. Lá fora, fazia 32°…

O guarda-roupa no quarto para cadeirantes tem cabides com altura acessível. Contém roupões, ferro e tábua de passar e secador de cabelos.

O banheiro é amplo, com barras de segurança, ducha com regulagens de altura, de ângulo, de temperatura e do jato de água. Há uma banheira, dentro da qual dá pra colocar a excelente cadeira de banho, mas o espaço é pequeno, então a cadeira não pode ser posicionada de frente para as torneiras. Nada é perfeito. A pia tem coluna, o que dificulta a aproximação. O espelho sobre ela é baixo o suficiente para permitir sua visão e comprido o suficiente para ser usado pelos andantes.

A banheira é muito estreita para posicionar a cadeira de frente
para as torneiras. (Fotos: Laura Martins)

O hotel é pé na areia, e a faixa de areia é estreita. Dessa forma, algumas rodadas e você já está no mar, calminho e morno. 

Há elevadores, pois o hotel tem vários pisos.E há faixas cimentadas que dão acesso a todas as áreas externas, incluindo restaurantes e bares do hotel, piscinas e mar.

O conforto é total, e o atendimento impecável. Ah! Ainda tem lojinha (com tudo o que você imaginar, incluindo biscoitos, refrigerantes, remédios mais comuns e protetor solar) e cassino.

Passarela de cimento leva até o guarda-sol para cadeirantes
(Foto: Laura Martins)

João Antônio me ajuda com a cadeira anfíbia. Depois,
desatei  o cinto de segurança e entrei no mar,
para curtir mais... (Foto: Ulysses Martins)

Os fundos do hotel (Foto: Ulysses Martins)

Saia do hotel, pela frente, atravesse a rua e terá acesso a uma infinidade de restaurantes, feirinhas e lojas de todos os tipos, das pequeninas que vendem suvenires até grandes joalherias e lojas de grife. Pelos fundos, você tem acesso, por uma passarela cimentada, aos vários hotéis da região, assim como a bares e lojas que vendem passeios e esportes aquáticos.

Sim, o paraíso é aqui. Até o próximo post!

Na avenida do hotel, uma passarela cimentada conduz a outros hotéis,
cassinos, restaurantes e shoppings. Não há rebaixamentos de
calçada. Será preciso usar as entradas para automóveis...


As iguanas e assemelhados estão por todos os lados. Mas num
instante a gente se acostuma...

As placas dos automóveis trazem a inscrição "One happy island".
Por que será??? (Foto do "nosso" carro, feita por mim)

Para saber mais:



segunda-feira, 14 de maio de 2012

Memorial Minas Gerais – Vale: cultura e arte ao alcance das rodas


Olha eu aí, vivendo uma experiência mágica
na Sala Guimarães Rosa.

Se você é um cadeirante que ama arte e cultura e está em Belo Horizonte, não pode deixar de visitar o Memorial Minas Gerais – Vale. Este centro de cultura está localizado na bela Praça da Liberdade e tem como objetivo mostrar a alma de Minas Gerais, de forma interativa e contemporânea. Diz o site do Memorial: “Cenários reais e virtuais se misturam para criar experiências e sensações que levam o público do século XVII ao século XXI”.  É isso mesmo!

Vou contar um pouco da nossa experiência lá, mas não é possível nem mesmo dar uma pálida ideia do que você pode encontrar. Tem que ir e sentir na pele.

No belo vídeo, texto inspirador sobre a obra de Rosa e
sobre os sertões, narrado por Maria Bethânia.
Até uma pedra se emocionaria...
São três pavimentos de história, arte e cultura transformados em experiências e emoções, ao qual o cadeirante terá acesso por uma entrada lateral, que fica na R. Gonçalves Dias. Seu acompanhante pode entrar pela Praça da Liberdade e solicitar a abertura desse portão ou você pode ligar antes e combinar tudo. E a entrada é gratuita!

Um elevador dá acesso a todos os pisos, interligados por uma magnífica escadaria. O teto foi todo restaurado e está muito bonito. Preste atenção também ao piso, que é histórico. Tem banheiro quase acessível. Não ria: é que há um pequeno desnível na entrada, com uma inclinação bastante acentuada. E, quando eu fui, a porta estava com defeito e não trancava. Fora isso, ele é amplo, moderno e bem equipado.

Do parapeito interno, você tem esta
bela imagem das escadarias.
Ao entrar no prédio, você será conduzido à recepção, onde deixará sua bolsa e poderá pegar um fone de ouvido para ter acesso ao áudio das variadas salas.

E, agora, prepare-se para adentrar um universo paralelo…

Primeiro pavimento

No primeiro pavimento, comecei pela Sala Guimarães Rosa, me emocionando ao ouvir a voz de Maria Bethânia narrando alguns dos magníficos trechos do grande escritor brasileiro. Há dois vídeos excelentes sobre a obra e a vida de Rosa.

Ao lado, a sala dedicada a Drummond, com manequins confeccionados pelo estilista mineiro Ronaldo Fraga, que trazem marcados a fogo os poemas do grande poeta itabirano, cuja voz ouvimos pelo sistema de som.

Nos manequins de Ronaldo Fraga, trechos dos
poemas de Drummond...
Na sala ao lado, as marcantes fotografias do ilustre Sebastião Salgado e, a seguir, uma sala dedicada à artista Lygia Clark.

Ande mais um pouco e tenha acesso a um projeto ambicioso: uma midiateca. Você pode passar o dia lendo e assistindo a concertos e documentários. Pode acreditar nisso? E eu repito: tudo de graça. Nós assistimos ao Bolero de Ravel com a Filarmônica de Minas Gerais. Sem comentários.

Ao lado, admire o belo jardim de inverno.

Poemas de Drummond vazados no peito das camisas.
Também de Ronaldo Fraga.


Segundo pavimento

Neste piso, as heranças e a identidade mineiras. Vídeos, móveis, utensílios, arte rupestre falam das histórias, das famílias, das fazendas, do teatro. 

Destaco a sala em que atores aparecem em telas de vídeo emolduradas (cada ator em uma tela), conversando entre si. Eles encenam a Inconfidência Mineira, de um jeito que você nunca esquecerá. No centro da sala, diversas poltronas móveis recebem os visitantes, que dão inúmeras voltas em torno de si mesmos para acompanhar os personagens nas quatro paredes.

Também merece menção especial a sala sobre o barroco mineiro, com vídeo narrado por Fernanda Montenegro. Uma aula.

Terceiro pavimento

Aqui, há salas em homenagem às manifestações populares e folclóricas, ao modernismo mineiro e ao Vale do Jequitinhonha. Há também espaços para espetáculos, cinema e exposições de novos talentos. 

Teto restaurado.

Na midiateca, conforto e tecnologia para assistir
aos documentários e aos vídeos contendo óperas e concertos.

O banheiro para cadeirantes tem um pequeno desnível na entrada.

Conclusão: tudo é tão bem cuidado, tão bonito, tão emocionante que eu asseguro: você vai querer voltar.

Horário de funcionamento
Terças, quartas, sextas e sábados, das 10h às 18h
Quinta, das 10h às 22h
Domingos, das 10h às 14h
Para visitas guiadas de grupos e escolas, agendar pelo telefone (31) 3343-7317
Entrada gratuita

Para ver e saber mais:


Programação de maio de 2012 no Memorial.














sábado, 7 de abril de 2012

Casa de Abrahão: bom programa para um sábado


Entrada do Bistrô (foto: Laura Martins)

Já falei do Bistrô Árabe Casa de Abrahão aqui no blog; é a terceira vez que vamos lá. Não recebeu – ainda – adaptações que o tornem acessível para cadeirantes, mas é possível entrar com a cadeira de rodas e desfrutar de um ambiente absolutamente agradável!

Fica pertinho de Belo Horizonte. A gente desce suspirando a estradinha asfaltada que serpenteia pela Serra da Moeda, tão fresco é o ar e tão bela a vista. Com sorte, você ainda admira a poesia que é o pessoal saltando de paraglider. Depois, à esquerda, um pequeno trecho em estrada de terra, e já estamos no restaurante.

Estradinha que desce a Serra da Moeda, rumo ao Retiro do Chalé
(Fotos: Laura Martins)

Oh là là! É muito lindo!

No meio da mata...

Abrahão e Cristina, sua irmã, nos recebem com a simpatia que lhes é peculiar. São bons de papo e fazem com que você se sinta em casa, tanto que sempre passamos a tarde inteira por lá. O pão-folha, que sempre pedimos como entrada, sai quentinho, crocante, com o delicioso perfume das especiarias orientais. As pastas estavam sensacionais. Tudo acompanhado de vinho branco. Duas horas depois, chegava o bacalhau com grão-de-bico. Não, não sei como sobraram forças para voltar para casa, depois de comer tanto… Ah, você pensa que não reservamos espaço para a sobremesa? Enganou-se.

Pão-folha perfumado e quentinho.

Sobremesa: pudim com calda de rosas

What a wonderful world!
(Foto: Onofre Queiroz)

Hoje, o post tem a intenção de trazer fotos para vocês suspirarem… Detalhes sobre o restaurante, é só clicar aqui.

E aqui:



Não deixe de ir porque o acesso ao restaurante apresenta desafios. Abrahão e seus ajudantes podem dar uma mãozinha. Tenha apenas o cuidado de ligar antes, para reservar mesa e avisar que você é cadeirante. Assim, eles já ficam a postos para recebê-lo e têm a atenção de reservar uma mesa com melhor acesso.

Degraus na entrada. Há uma rampa
na lateral, mas muito íngreme.

Portão de acesso

Fachada